O talabarte é o elemento que liga o cinturão do trabalhador ao sistema de ancoragem. Quando é usado para reter uma queda, ele precisa de um componente indispensável: o absorvedor de energia, responsável por limitar a força transmitida ao corpo no momento da frenagem.

A NR-35 define o absorvedor de energia como o elemento com função de limitar a força de impacto transmitida ao trabalhador pela dissipação da energia cinética. Sem ele, a parada brusca de uma queda pode gerar forças capazes de causar lesões graves, mesmo que o equipamento não se rompa.

O que diz a NR-35

A regra ficou mais clara com a Portaria MTE nº 1.680/2025, que alterou o item 35.6.9.1.1:

“Se o elemento de ligação utilizado para retenção de quedas for um talabarte, este deve ser um talabarte integrado com absorvedor de energia.”

O glossário define o talabarte integrado com absorvedor como aquele que contém um absorvedor de energia que não pode ser removido do talabarte sem danificá-lo. Consequentemente, conjuntos montados com absorvedor avulso, que pode ser desconectado do talabarte, não atendem ao requisito.

A mesma seção exige que, em retenção de queda, o EPI seja o cinturão de segurança tipo paraquedista (item 35.6.9), conectado pelo elemento de engate para retenção de queda indicado pelo fabricante (item 35.6.9.1), e que o SPIQ limite a força de impacto transmitida ao trabalhador a no máximo 6 kN (item 35.6.7).

Quando usar — e quando não usar

SituaçãoElemento de ligação adequado
Retenção de quedaTalabarte de segurança integrado com absorvedor de energia (ABNT NBR 15834:2020) ou trava-quedas compatível com a linha de ancoragem.
Restrição de movimentaçãoElemento que impeça o trabalhador de alcançar a zona de risco. Se a análise de risco indicar possibilidade de queda com diferença de nível, o sistema deve ser dimensionado como de retenção de queda (item 35.6.8.1).
Posicionamento no trabalhoTalabarte de posicionamento (ABNT NBR 15835:2020), que mantém o trabalhador posicionado, mas não substitui o sistema de retenção de queda.
Deslocamento vertical contínuoTrava-quedas deslizante guiado em linha vertical, respeitando a compatibilidade com a linha e o comprimento máximo do extensor (item 35.6.10).

Como o absorvedor trabalha

A maioria dos absorvedores de talabartes é feita de fita costurada que se rasga de forma progressiva quando a força ultrapassa um limiar. Ao se abrir, o absorvedor dissipa a energia da queda e alonga o conjunto. Essa abertura, informada pelo fabricante, precisa entrar no cálculo da Zona Livre de Queda: um talabarte com absorvedor exige mais espaço livre abaixo do trabalhador do que muitos imaginam.

Os manuais de fabricantes que seguem a ABNT NBR 15834:2020 limitam o comprimento total do talabarte de segurança — incluindo fita ou cabo, absorvedor e conectores — a 2 m.

Fator de queda e posição da ancoragem

O fator de queda é a razão entre a distância que o trabalhador percorreria na queda e o comprimento do equipamento que irá detê-lo (glossário da NR-35). Ele depende diretamente da altura do ponto de ancoragem em relação ao elemento de engate do cinturão:

Fator 0Ancoragem acima do elemento de engate, com o talabarte sem folga
Fator 1Ancoragem na altura do elemento de engate
Fator 2Ancoragem na altura dos pés: queda livre igual ao dobro do comprimento do talabarte

Quanto maior o fator de queda, maior a energia que o absorvedor precisa dissipar e maior o espaço necessário. Por isso, o item 35.6.11.1 exige que talabarte e trava-quedas sejam posicionados de modo a restringir a distância de queda livre e a evitar a colisão com estrutura inferior. Sempre que possível, a ancoragem deve ficar acima do elemento de engate.

Cuidados obrigatórios no uso

  • não conectar o talabarte a outro talabarte, elemento de ligação ou extensor, nem utilizá-lo com nós ou laços, exceto quando especificado pelo fabricante (item 35.6.11.1.1);
  • garantir que o trabalhador permaneça conectado durante todo o período de exposição (item 35.6.11, alínea a) — em deslocamentos com troca de ancoragem, o talabarte duplo, em “Y”, permite manter uma conexão enquanto a outra é transferida;
  • verificar a compatibilidade entre talabarte, conectores, cinturão e ancoragem (item 35.6.11, alínea f);
  • inspecionar o equipamento antes do uso e retirar de serviço qualquer talabarte que tenha retido uma queda ou cujo absorvedor apresente sinais de acionamento, conforme as instruções do fabricante.

O talabarte com absorvedor é apenas uma parte do sistema. Sua eficácia depende de um ponto de ancoragem adequado. Veja O que é um sistema de ancoragem?

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Fontes

  • BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. NR-35 – Trabalho em Altura (texto consolidado).
  • Portaria MTE nº 1.680, de 2 de outubro de 2025 (DOU de 6/10/2025).
  • ABNT NBR 15834:2020 – Equipamento de proteção individual contra queda de altura – Talabarte de segurança para retenção de queda.
  • ABNT NBR 15835:2020 – Equipamento de proteção individual contra queda de altura – Cinturão de segurança tipo abdominal e talabarte de segurança para posicionamento e restrição.
  • ABNT NBR 14629:2020 – Equipamento de proteção individual contra queda de altura – Absorvedor de energia.
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